A infância como categoria psicológica e a infância como espaço de profundidade na narrativa cortazariana
DOI:
https://doi.org/10.38128/cienciayfilosofa.v1i01.4Palavras-chave:
Niñez, Infancia, Psicoanálisis, Fenomenología, CortázarResumo
A partir de uma fenomenologia do devaneio, são fornecidos elementos de análise para a técnica literária de Cortázar em uma narrativa fundacional da adolescência e na criação de um espaço de intimidade. Este artigo propõe uma distinção entre a "infância" (entendida como *niñez*), enquanto categoria psicológica normativa, e a "infância" (entendida como *infancia*), enquanto espaço de profundidade imaginativa, analisando essa dualidade na narrativa de Julio Cortázar. Por meio de uma fenomenologia do devaneio inspirada em Bachelard, explora-se como a infância constitui um âmbito de intimidade e criatividade, em contraste com a infância regulada por discursos psicanalíticos e cognitivos. O estudo concentra-se no conto “Depois do almoço” (*Después del almuerzo*), no qual se observa uma dialética entre uma infância narrada (onírica e fundacional) e uma infância situada (sujeita a normas sociais). O relato ilustra a transição para a adolescência como um momento de conflito entre a interioridade íntima e as imposições externas, revelando uma “topologia da intimidade” na qual emerge o que o autor denomina “menino dourado”: uma figura de bondade e transcendência reprimida pela racionalização adulta. A pesquisa critica as interpretações tradicionais que psicologizam ou patologizam a infância e propõe, em seu lugar, uma leitura fenomenológica que valoriza o devaneio e a confissão literária como vias de acesso a uma subjetividade autônoma, não sujeita a categorias clínicas.
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